Comissão divulga relatório sobre os assassinatos de Marielle e Anderson

Comissão divulga relatório sobre os assassinatos de Marielle e Anderson.

Sem respostas. Esta é a conclusão da Comissão Externa que acompanha as investigações dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes. Após quase nove meses das execuções, as autoridades não chegaram aos atiradores e aos mandantes, e nem à motivação do crime. A avaliação é do relator da Comissão, deputado Glauber Braga (RJ).

“A não articulação das autoridades resultou a não elucidação do crime. E quando o ministro da Segurança Pública (Raul Jungmann) diz que há a possibilidade de autoridades do Rio de Janeiro estarem envolvidas e não quererem o fim das investigações torna-se mais grave”, afirmou Glauber Braga.

O coordenador da Comissão, deputado Jean Wyllys (RJ) disse que o acompanhamento das investigações não vai parar com o término desta legislatura. “A frustração nossa é a injustiça porque não se chegou ao fim. É terrível que uma pessoa que defenda os direitos humanos viva com insegurança a ponto de ter que andar com escolta, que tenha que trabalhar com medo e se sentindo ameaçado”, disse o deputado.

No relatório final aponta a contradição entre as autoridades envolvidas na investigação, em particular a Polícia Civil e o Ministério Público. A PC diz que a apuração do crime estaria em fase final, já o MP afirma que ainda faltam fatos importantes para serem esclarecidos.

A Comissão propõe no relatório a federalização das investigações. Para Glauber Braga, a federalização significa a necessidade de ampliar a responsabilidade para que as execuções de Marielle e Anderson não sejam esquecidas, e os envolvidos identificados e punidos.

O parecer apresenta ainda um balanço das atividades da Comissão durante esses nove meses, com a realização de reuniões, audiências e diligências e a aprovação de requerimentos e ofícios – destes últimos, vários sequer foram respondidos pelas autoridades, entre elas o interventor do Estado do Rio de Janeiro, general Valter Souza Braga Neto, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e o chefe da Polícia Civil do RJ, Rivaldo Barbosa.

O relatório será encaminhado às autoridades envolvidas, entre elas a Polícia Civil, Ministério Público e Procuradoria Geral da República.

 

Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados

ImprimirEmail